Monóculos

As Flores Coletivas, uma criada juntamente com os estudantes e a outra a partir das minhas reflexões sobre a pesquisa, foram pontos de partida para iniciar o projeto na unidade escolar. Através de um olhar poético cada estudante desenvolveu um processo criativo-reflexivo dentro de um pequeno monóculo.

O monóculo é uma das "invenções que privilegiam e estimulam nossos olhos"[1], intercalando o olhar focado e geral. Cada monóculo focou em uma pétala, mas todos estão conectados com o miolo da flor, o coletivo, que guiou o olhar geral. Ou seja, o estudante relacionou o coletivo dentro do espaço escolar com uma palavra que escolheu referente a uma das pétalas.

Mas porque monóculo? O monóculo neste trabalho é visto como um jogo, um "jogo de expectativas" (MENEZES, 2016. p.23) em que sempre é uma descoberta ao olharmos pela pequenina lente. Para olhar a imagem no monóculo o corpo se movimenta em busca da luz, é uma experiência fenomenológica que brinca com a luz, com o corpo e com o olhar.

O monóculo, especialmente, nos remete há um hábito pertencente à vivência de qualquer ser humano, o brincar. Para muitas pessoas, como pontua Elinaldo[2], este dispositivo se aproxima e estabelece relação de familiaridade com as pessoas porque sua materialidade, o plástico e as cores vibrantes assim como o seu manuseio despertam o carisma semelhante à experimentação por meio da brincadeira. O ato de visualizar a fotografia é a experiência de vivenciar a emoção da descoberta que para alguns pode ser uma simples imagem, mas para outros a rememoração de um pedaço de vida, e independente da forma que esta experiência toque o indivíduo ela sempre irá correr de forma interessada, atenta e prazerosa. [...] Elinaldo define o monóculo como um "brinquedo de ver imagem", o que parece ser a descrição mais prática e afetiva a respeito do mesmo (MENEZES, 2016. p.26)

Ao longo do projeto, de forma democrática, os estudantes escolheram que os monóculos iriam se transformar em uma "Cabeça Coletiva". Uma Cabeça de Monóculos Pétalas.


[1] ARAÚJO,2007, p.27

[2] Elinaldo Meira nasceu na Bahia em 1974, Doutor em Artes pela Unicamp e pós-doutor pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ. Escreveu o livro Monóculo só se for aqui! Na minha terra é binoclo. 2015-São Paulo-PerSE.

Cabeça Coletiva de Monóculos- Arquivo pessoal 

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